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Lolita?

Por Kazi em ter, 23/10/2007 - 16:35

Para a estréia desta coluna aqui na Rádio Blast!, breves definições sobre o Lolita! Esta é a minha primeira coluna portanto, por favor, tenham paciência. ^^

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O nome Lolita já não é mais estranho entre os fãs de cultura pop japonesa. Diversas vezes o assunto fora abordado em revistas, programas de televisão, fóruns, sites, comunidades do Orkut etc., e se difundiu de tal forma que atualmente, no Brasil, é impossível negar a sua existência e influência já impactantes dentre os apreciadores da moda urbana japonesa.

Porém, muitas dúvidas e controvérsias surgem acerca de sua criação, difusão e conceitos. É complicado apresentar definições exatas inclusive para aqueles que já conhecem o estilo há bons anos. É para isto que esta coluna está sendo estreada: Inicialmente, irei apresentar para vocês todas aquelas informações cheias de lacunas sobre Lolita para que não mais confundam o estilo com outras definições que estão longe de se aproximarem desta moda urbana japonesa tão peculiar e atraente.

Segundo Novala Takemoto, renomado escritor e designer do meio Lolita japonês, Lolita é uma moda urbana que surgiu no Japão no final dos anos 70. Hoje em dia, é possível encontrar grifes do meio que datam desta época; nos mostrando que já fazem bons anos desde que ele [o estilo] nasceu.

Lolita significa o resgate de uma época. Um universo lúdico, muitas vezes mesclado com elementos opostos, compõe a harmonia presente em muitos sub-estilos Lolita. A fascinação pelo passado, seja uma época romântica ou sombria do século XIX ou algum período presente na infância, é uma característica que se reflete inclusive nas roupas. O parecer com uma boneca vitoriana, o uso de ornamentos que nos lembram o barroco e o rococó, a preocupação em manter uma composição em perfeito equilíbrio mesmo que os elementos não sejam (teoricamente) compatíveis fazem parte deste universo, muitas vezes tratado com extremo preconceito aos olhos daqueles que se limitam a conhecer o Lolita apenas através de animes.

Atribuíndo conceitos advindos do Visual Kei, que nos apresentam ideais de jovens que vão contra muitas coisas impostas pela sociedade japonesa, é comum citarem na internet (em especial em sites ou blogs de ocidentais) as origens do Lolita a um comportamento que negava a vida adulta, remetendo às lolitas japonesas a idéia de que se casar, ter filhos e trabalhar são fatores terríveis para suas vidas. Assim, o objetivo primordial do Lolita seria uma manifestação pela permanência no universo infantil, algo bem próximo de uma "síndrome de peter pan". Porém, é importante lembrar que tais idéias não possuem bases tão concretas a ponto de tomá-las como verdade: Lolita, segundo as figuras mais influentes do Japão, é uma moda urbana peculiar que não possui e nunca possuiu nenhum tipo de regra ou padrão comportamental, sendo algo que você, pessoalmente, pode (e deve) atribuir seus próprios conceitos, justificando da forma mais particular possível o porquê de amá-lo tanto. É importante lembrar, também, que os padrões japoneses de beleza feminina são completamente diferentes do ocidentais; Por lá, a mulher que é bonita é aquela que lembra uma jovem garota adolescente, com uma imagem infantilizada e "kawaii". Ou seja, embora o Lolita tenha suas dezenas de influências européias, não poderia ter nascido em outro lugar senão o Japão.

Um dos assuntos que mais divergem pela internet é a questão de uma ideologia por trás do estilo Lolita. Assim como existem ideologias que se tornaram comportamentos visualmente fúteis, é comum atribuírem tal conceito para o que o Lolita é hoje em dia, principalmente para as pessoas consideradas ignorantes no assunto em relação às ditas "superiores". Este tipo de "elitismo" é mais comum do que se parece e é algo ainda atrofiado no Brasil que, certamente, deve ser evitado.

Ao contrário da Lolita de Nabocov (Dolores), o nome está aqui presente apenas para nos dar a idéia de infância, juventude. É mais uma palavra ocidental que os japoneses importaram que por lá possui outro significado (assim como "otaku" possui outro significado no Ocidente em relação ao Japão). Lolitas, de forma alguma, possuem o objetivo de esbanjar sensualidade e muito menos são como são apenas para agradar os homens. Ou seja, o estilo não é um fetiche.

Esteticamente falando, Lolita é um estilo que expressa meiguice, fofura, inocência e outras coisas relacionadas. Porém, dependendo do sub-gênero (punk, gothic, classical etc), isto pode mudar, gerando uma maior preocupação em manter o equilíbrio da composição. Esta definicição (superficial) também pode mudar, dependendo da lolita que o usa e do que o estilo significa para ela. Saias volumosas e rodadas até o joelho, ausência de decote exagerado, rendas (em excesso ou não), laços, fitas, corsets, sapatos de bonecas, meias longas e tecidos opacos ou estampados com figuras diversas (dependendo da grife e do sub-estilo) fazem parte da composição de muitos estilos.

Bem, estas são apenas as definições mais básicas e "cruas" do que é o Lolita. Existem diversas coisas acerca deste pequeno mundo que tem se estendido cada vez mais, principalmente para quem se interessa por cultura japonesa!

Para nossa próxima coluna, definições detalhadas sobre os principais sub-gêneros lolita! :wink:

Coluna

Queen Victoria’s Doll é uma coluna destinada à moda urbana japonesa Lolita e tudo o que abrange seu universo, especialmente no Brasil.

Colunista

  • Kazi D.
  • 20 anos.
  • Nascida e residente em Belo Horizonte (MG).
  • Moderadora do fórum Moi dix Mois Brasil e da comunidade Gothic Lolita no Orkut.
  • Estudante de Design Gráfico.
  • Incondicionalmente fã de Mana-sama, Gothic Lolita e Alice no País das Maravilhas.

Estilo

Lolita é uma moda urbana japonesa que emergiu no final dos anos 70. Misturando a cute culture (fofo, meigo, “kawaii”) com características importadas da Europa em tempos remotos, como o romantismo e a era Vitoriada, o Lolita possui vários sub-gêneros, como (os mais famosos) Gothic Lolita, Sweet Lolita, Classical Lolita e Punk Lolita. O estilo não possui um líder e nem um ícone a ser seguido. Também não tem regras comportamentais, sendo a educação, a modéstia e o recato características singulares que as lolitas incorporam se desejarem.

Mais

Existem vários veículos de comunicação destinados ao universo Lolita ou que simplesmente se inspiram nele. Dentre muitos, temos a Gothic & Lolita Bible (revista de prensagem irregular), Shimotsuma Monogatari (livro de Novala Takemoto, que virou filme), dezenas de animes e mangás que fazem pelo menos uma referência ao estilo (Death Note, Princess Princess, Chobits etc) além de uma notável influência na moda urbana de outros países.

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